Redefinir Senha

Busca Avançada
Your search results
30 de janeiro de 2018

8 blocos afros imperdíveis

Prepare o fôlego para curtir o carnaval ao som dos blocos afro! Fizemos uma lista com histórias das oito principais  atrações no Rio, Salvador, São Paulo e Olinda! Se jogue!

Os blocos afro surgiram, com essa denominação, na Bahia a partir da década de 70, na esteira do movimento de afirmação política dos afro-americanos, nos Estados Unidos. Em Recife, Rio ou São Paulo, os grupos são também chamados de Maracatus e Afoxés, com sonoridades específicas, ligadas também aos tambores e sons característicos dos terreiros de Candomblé. Há também agremiações mais recentes, trazendo a sonoridade do samba-reggae para as ruas de todo o País.  Conheça alguns dos principais:

Rio de Janeiro

Circuito que cresce no Rio de Janeiro, e luta para retomar a posição de destaque de outros carnavais, o Centro da cidade é tomado pelos blocos afro na terça-feira de Carnaval. Passam por ali agremiações de afoxés e samba-reggaes, algumas recentes e outras que fizeram a história da folia de Rua e inspiraram grandes escolas de samba. Hoje, sequer integram a programação oficial do carnaval, mas saem na terça-feira no circuito do Centro com alas, fantasias e muito orgulho da tradição.

Cacique de Ramos

Bloco carnavalesco originário do subúrbio carioca de Ramos, zona da Leopoldina, tendo como padroeiro São Sebastião. Fundado em 20 de janeiro de 1961 por três famílias, à sombra de uma tamarineira cantada em prosa e verso nos principais sambas cariocas. Dali surgiram grandes nomes nacionais, como Beth Carvalho, Zeca Pagodinho e o Fundo de Quintal, que marcaram o nome do bloco na história do samba.

Mas é no Carnaval que nasce a tradição do bloco, sendo considerado uma das principais agremiações até a década de 80, com grandes desfiles, com samba-enredo tradicional, alas e carros alegóricos e fantasias inspirados em grupos indígenas apaches. Na rua, com grande mobilização de simpatizantes e integrantes, o grupo rivalizava com o Bafo de Onça, outro bloco emblemático da cultura negra carioca.

Em 2012, o bloco foi homenageado pela Mangueira como tema do desfile da escola, que lembrou a trajetória de sucesso e inovações no carnaval de rua do Rio, com grande mobilização de público e sucessos do samba que marcam a memória popular. Atualmente, o bloco desfila no domingo, segunda e terça de Carnaval, na Av. República do Chile, sempre às 20h.

 

Bafo da Onça

O Bafo da Onça é mais antigo que o Cacique. O bloco foi fundado dentro de um botequim do bairro carioca do Catumbi, em meados dos anos cinquenta. Seu principal fundador foi um carpinteiro e policial chamado Sebastião Maria. Contam as memórias que Tião Carpinteiro, como era conhecido, tinha o hábito de beber demais no carnaval. Num desses dias, saia fantasiado como o bloco de um homem só, vagando pelas ruas do bairro fantasiado de onça pintada e com o bafo forte de quem bebia desde o dia de Santos Reis, quando iniciava os festejos de Carnaval.

A rivalidade com o Cacique surgiu somente depois, com a provocação difundida entre os apaches para superar as onças nos desfiles de rua. Da brincadeira, gerou-se uma verdadeira oposição dos blocos, com grandes brigas e confusões generalizadas em plena avenida, ao encontro dos foliões dos blocos. A rivalidade só foi vencida após uma ‘trégua’, conquistada com a visita à quadra do Bafo de alguns dirigentes do Cacique.  Em 2012, a pacificação das agremiações foi recontada na Sapucaí pela Mangueira, que reuniu numa só bateria músicos de ambas agremiações com as respectivas fantasias.

Em 2017, com problemas financeiros e de documentação, o Bafo da Onça não desfilou pela primeira vez na história. Muitos atribuem a decadência do bloco, desde a década de 90, às transformações urbanas no bairro do Catumbi, no entorno do Sambódromo.  Construção de viadutos e túneis, a reordenação urbana da região provocou a demolição de imóveis centenários, desapropriações e remoções para abrigar também prédios administrativos do governo e da prefeitura. Assim, a população local, seus hábitos, tradições e referências culturais teriam se esvaziado.

 

Òrúnmilà

Surgido há mais vinte anos no Morro da Mineira, também no Catumbi, o Grupo Afro Òrúnmilà ampliou as fronteiras do bairro da Abolição, onde se popularizou, e vem se destacando no circuito da cultura  negra no Rio.  O bloco é considerado  é um dos responsáveis pela revitalização cultural da Lapa, reunindo um público fiel desde 1997 para acompanhar os ensaios dos blocos, sempre às sextas-feiras, em um sobrado histórico próximos aos Arcos. Ali fica a sede da Federação dos Blocos Afro e Afoxés do Rio de Janeiro – FEBARJ.

Com oficinas percussivas, o grupo é  comparado por muita gente boa com o próprio Olodum. O Bloco realiza há mais de 20 anos o concurso da Deusa do Ébano, e há dois anos também o Deus do Ifá, para exaltar a beleza da mulher e do homem negros brasileiros.  
Desfila também às terças-feira de Carnaval, na Av. República do Chile, no Centro do Rio. Além deles, outros blocos e agremiações da Baixada Fluminense desfilam na região com temas ligados à negritude e africanidade, como o Amigos do Zé, em homenagem ao Zé Pilintra.

Salvador

Ilê Aiê
Dispensa apresentações! Saudado internacionalmente como “o mais belo dos belos”, o bloco foi fundado em 1974 no bairro da Liberdade, em Salvador. Sua criação marca a história como o  surgimento dos ‘blocos afro’ na festa baiana, que até então tinha apenas blocos oriundos de clubes da elite. A agremiação surgiu na esteira do movimento Black Power, dos Estados Unidos, com o desafio de demarcar o espaço para a exaltação da cultura, valorização de identidades e afirmação política da população negra de Salvador.

A partir dele, surgiram outras agremiações, como o Muzenza, Male de Bale, além do Olodum, que já no final da década de 80, popularizou as batidas percussivas  inconfundíveis do samba-reggae. Parte dos sucessos da axé music são, na verdade regravações de grandes hinos destes blocos, que produzem concursos culturais para escolher o tema e as músicas de trabalho a cada ano.

É na famosa Ladeira do Curuzu, onde está a sede do bloco, que acontece a cerimônia especial que abre o desfile do  na noite de sábado de Carnaval. Ligado a uma tradicional casa de Candomblé de Salvador, o bloco mantém como tradição realizar um ritual antes do desfile para abençoar os três dias de festa. O bairro é conhecido como o de maior concentração da população negra no Brasil, onde mais de 80% da população é autodeclarada negra.

A tradição negra, assim como a história do bairro, são exaltadas nas canções do bloco, de forte cunho político. A música Que bloco é esse, é um sucesso nacional sobre a trajetória do Ilê. Mais recente, Alienação, fala da importância da ocupação de cargos políticos pela população negra.

A cada ano são homenageadas histórias dos povos negros da África e do mundo: em 2018, o homenageado é Nelson Mandela e sua luta contra o apartheid. O líder sul-africano completaria 100 anos de nascimento neste ano. Antes do carnaval de Salvador, o bloco fará apresentações no SESC Pompeia, em São Paulo, nos dias 2 e 3 de fevereiro.  No último dia 20, ocorreu a tradicional Noite da Beleza Negra, em que foi escolhida a Deusa do Ébano, a rainha do bloco ao longo do ano.

 

Filho de Gandhi

Outra emblemática agremiação de Salvador, o bloco composto só de homens é um dos mais antigos: foi criado em  em 1949 por estivadores do Porto de Salvador. Naquele ano, poucas pessoas desfilaram temendo represálias da Polícia: a proposta do grupo era levar para a rua o som típico dos terreiros de candomblé: o afoxé, que apresentam um ritmo mais leve, com três instrumentos principais: atabaque, agogô e xequerê (parecido com um chocalho). Para evitar a perseguição e celebrar a memória do líder pacifista indiano Mahatma Gandhi morto um ano antes da fundação do bloco.

Raul Spinassé

Gilberto Gil acompanha o bloco Filhos de Gandhy em 2017

Atualmente,  mais de 6 mil homens desfilam no bloco. Mas engana-se quem acha que as mulheres não têm participação no bloco. É delas a responsabilidade sobre outra tradição: a confecção dos turbantes, um ritual transmitido por gerações. Nas ruas de paralelepípedo do Pelourinho, ou nos arredores da Igreja do Bonfim, onde são distribuídas as fantasias,  diversas turbanteiras se revezam ‘fazendo a cabeça’ dos integrantes do bloco, enquanto contam histórias de antigos carnavais, quando pais e filhos desfilavam sob o manto de Gandhy.

Os mais velhos contam que era uma demonstração de confiança e força das mulheres no afoxé. Contam também que é recente a fama dos colares de contas brancas e azuis, em homenagens aos orixás regentes do bloco, Oxalá e Ogum. A tradição indicava que os cordões eram repassados a qualquer pessoa que solicitasse, como uma simbologia de proteção e paz. Sempre com toques de alfazema, que também compõe a fantasia e marca no olfato dos foliões a passagem do bloco. Mas, com a abertura do bloco a foliões não associados, que compram a fantasia, os cordões se tornaram uma tradição no carnaval baiano, sendo costumeiramente trocadas por beijos!

O bloco desfila no domingo, segunda e terça-feira de Carnaval nos dois principais circuitos da cidade: Osmar (Centro) e Dodô (Barra). Antes da saída, também há um ritual religioso realizado na sede do bloco, no Pelourinho. A cada ano, o desfile reúne diversas celebridades, como Gilberto Gil, homenageado do último ano. Em 2018, Carlinhos Brown assume a direção artística da agremiação.

 

Olinda

Alafin Oyó

Um dos mais tradicionais de Pernambuco e mais antigos afoxés do país, a Associação Recreativa Carnavalesca Afoxé Alafin Oyó foi fundada em Olinda no dia 02 de março de 1986. De origem iorubá, a palavra Alafin significa um título de nobreza como Senhor do Palácio ou mesmo Rei. A agremiação tem por objetivo repassar e preservar a cultura tradicional pernambucana e em especial, a cultura negra. No desfile, os trajes são tipicamente à moda africana, o que o caracteriza como um cortejo afro.

O desfile do bloco acontece no dia 10 de fevereiro, no Centro Histórico de Olinda. Os foliões são convidados a usar roupas brancas e vermelhas, cores da agremiação.  O grupo costuma apresentar um dos maiores repertórios de afoxé do estado, e também é conhecido pelos trajes, confeccionados nos cursos e oficinas sociais. O grupo oferece ações como aulas de percussão, dança, canto, e para os estudantes pré-vestibular e preparatório para concursos públicos. Conheça mais dessa trajetória!

 

São Paulo

Ilu Inã
Tendo como patrono Exu, o bloco se define como afro-afirmativo! Em sua página, indica que  o objetivo é promover o reencontro da população negra da cidade com seus antepassados africanos através da dança, canto e ritmos dos orixás dos terreiros de candomblé. A agremiação foi criada por Fernando Alabê, presidente, mestre de bateria e produtor do bloco; e por Fefê Camilo, vice-presidente, administradora da agremiação, ela é também musicista, percussionista/baterista, tendo participado de projetos importantes como Orquestra Sinfônica de Taboão da Serra, Teatro de Tábuas,  entre outros.

O desfile do bloco acontece no dia 5 de fevereiro. Antes, porém, o grupo se reúne  para ensaios e aulas abertas ao público toda segunda-feira, a partir das 19h, no Aparelha Luzia, localizado na Rua Apa, 78, no Centro.

 Ilú Obá de Min
Um dos mais tradicionais de São Paulo, desfila há 13 anos com o propósito de fomentar a cultura negra na cidade. Ilú Obá de Min em português significa: mãos femininas que tocam para o rei Xangô. A proposta inicial da agremiação era inserir mulheres de todas as idades no carnaval, além de recuperar a história negra, repassando-a por meio das músicas e danças, como Jongo, Maracatu, Ciranda, entre outros.

Foi fundado pelas percussionistas Beth Beli e Adriana Aragão. Beth, além de diretora e presidenta da entidade, é percussionista, cantora, arte educadora, regente e mestra de bateria. Iniciou sua carreira artística em 1987, tendo como referência musical as grandes Escolas de Samba de São Paulo. Em 2016, o bloco reuniu mais de 40 mil pessoas em seu desfile, que homenageou a cantora Elza Soares.

Esse ano o bloco sai com o tema “Akotirenes: o Yibi das Mulheres Quilombolas” no dia 09 de fevereiro, às 19 horas na Praça da República; e no dia 11 de fevereiro, às 14 horas na Rua Barão de Piracicaba.

Com inspiração do Alma Preta