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3 de novembro de 2017

10 Monumentos à Resistência

Uma das formas de eternizar as lutas de um povo é erguer monumentos grandiosos. Para a população negra, conhecer esses marcos é valorizar uma narrativa contra hegemônica sobre nossa memória.

Após séculos de colonização e escravidão, os movimentos políticos têm pautado a importância desses monumentos para a enfatizar a resistência e valorizar as lideranças negras que promoveram transformações para as comunidades negras em diferentes cidades.

A maior parte desses monumentos foram erguidos a partir dos anos 2000, como resultado da ação de diferentes movimentos para reescrever a história. Visitar as cidades e encontrar esses marcos é se conectar com a memória, valorizar vozes de uma luta universal de afirmação.  É uma inspiração à re-existência em nossa atuação diária!

Listamos alguns dos monumentos mais emblemáticos para reforçar a memória deste #novembronegro!

01. Porta do Não Retorno

Originalmente, a área abrigava do segundo maior porto de embarque de africanos escravizados  da história, localizado em Ouidah, no Benin. Hoje, o local é tombado pela Unesco como Patrimônio da Humanidade. O monumento simboliza o rito de passagem que escravocratas acreditavam realizar com os africanos que embarcavam na região – ali, deixariam suas identidades, memórias, relações e vínculos afetivos e de identidade, para se tornarem propriedades sob o julgo violento dos colonizadores. No pórtico, imagens de homens acorrentados expressam a passagem pelo vão.  O local é tema de ensaios e análises sobre os efeitos e impactos  sobre a memória coletiva e sentimentos de pertencimento dos afrodescendentes em diáspora.

 

02. Monumento Canção da Redenção

“Ninguém além de nós pode libertar nossa própria mente”. A frase imortalizada pela composição Redemption Song, de Bob Marley, ganhou representação viva na capital da Jamaica, Kingston, na área central do Parque da Emancipação. A obra de Laura Facey, inaugurada em 2013, mostra um casal olhando para o céu, em posição altiva, enquanto emerge de um lago artificial. A obra se inspira na frase, dita inicialmente pelo herói jamaicano Marcus Gavey. O simbolismo não poderia ser mais claro: é o levante da população negra pela sua emancipação e afirmação de sua cultura e liberdade.

 

03. Monumento da Renascença Africana

Com 50 metros de altura, este é um dos mais visitados de toda a África. Localizado em Dakar, na África, ele foi erguido para homenagear os 50 anos da independência do Senegal, em 2010. Maior do que o Cristo Redentor, o monumento só perde em tamanho para algumas estátuas da Ásia e da Rússia, conhecida pelos monumentos de líderes da então União Soviética.  A obra africana, de bronze, fica no topo de uma colina e foi desenhada pelo arquiteto senegalês  Pierre Goudiaby,  para simbolizar o horizonte de prosperidade para a família africana após a libertação colonial.

 

04. Benkos Bioho

Na praça central de San Basílio Palenque, a estátua de bronze de expressão severa de dor é uma memória de luta do primeiro território negro considerado livre e autônomo em toda a América. Localizado a cerca de 70 km de Cartagena, na Colômbia, a estátua é uma homenagem ao líder libertador da comunidade, Benkos Bioho, morto em 1621. Nascido em Guiné Bissau, ele foi vendido como escravo para comerciantes espanhóis. Ele liderou a revolta da população negra sediados na costa caribenha e a fuga para as colinas, onde fundou a comunidade de cerca de 200 famílias que ainda hoje preservam hábitos únicos – como a língua própria, medicina tradicional de ervas e uma rica cultura musical. O palenque corresponde aos quilombos no Brasil, e San Basílio é tombado como patrimônio histórico da Humanidade pela Unesco.

 

05. Zumbi dos Palmares

Líder que inspira as comemorações do dia 20 de Novembro, dia da Consciência Negra, Zumbi dos Palmares tem papel semelhante na história brasileira ao de Benkos Bioho. O líder do Quilombo dos Palmares liderou fugas de escravos em direção à Serra da Mantiqueira, em Alagoas, onde ficava localizada a comunidade negra mais importante de nossa história. Este monumento, localizado no Pelourinho, Centro Histórico de Salvador, foi inaugurada em 2008, e foi esculpida com 2 metros de altura, em bronze, pelo artista plástico Márcia Magno. Anualmente, no dia 20 de novembro, lideranças religiosas e ativistas do Movimento Negro realizam eventos na região em celebração a Zumbi.

06. O Arco do Retorno

Localizada na sede da ONU, em Nova York, o memorial de mármore chama a atenção para a tragédia da escravidão e do tráfico de humanos que sequestrou mais de 15 milhões de africanos de suas terras natais, retirando-lhes direitos e dignidade. O espaço também propõe uma reflexão entre o tráfico de escravos no período colonial e a persistência do trabalho em condições análogas à escravidão na contemporaneidade.  O painel traz a legenda: Conheça a tragédia, considere seu legado. O memorial foi desenhado pelo arquiteto Rodney Leon, descendente de haitianos.

 

07. O Negro Desconhecido

O Haiti foi o primeiro território do Caribe a ter declaradas a independência  e o fim da escravidão, em 1801. Por isso, tem sido revisitado pela historiografia negra como um exemplo de luta política para libertação da população negra e de estabelecimento de um Estado autônomo – embora, sua história oficial ainda seja marcada pela narrativa da pobreza e tragédias naturais, fruto de boicotes econômicos estabelecidos contra a ilha. A estátua que homenageia ancestrais mortos pela colonização francesa  fica localizada na capital do País, Port-au-Prince, e foi inaugurada ainda em 1967. Em bronze, criada pelo arquiteto e escultor Albert Mangonès, ela retrata um fugitivo desconhecido, ainda com os grilhões presos aos seus pés, bebendo água em uma grande concha e segurando também uma espada.

 

08. Nelson Mandela 

Para celebrar a o aniversário de 50 anos da prisão política do político e ativista sul-africano, em 1962, o artista Marco Cianfanelli criou um monumento único na cidade de Howick. Ao todo, 50 pilares de aço, com até 10 metros, formam o perfil do maior líder negro da história recente, com sua trajetória de superação das perseguições do regime do apartheid e de conciliação nacional, após sua eleição para presidente do País, em 1994. O rosto de Mandela, prêmio Nobel da Paz, só é reconhecido em determinada posição. Os pilares, simbolizam a prisão a que o ativista foi submetido por mais de 26 anos por se opôr e organizar movimentos de boicote ao regime autoritário do apartheid, que segregava legalmente a população tradicional negra dos colonizadores brancos.

 

09.  Whitney Plantation

A sede de uma antiga fazenda de plantação de açúcar no estado de Louisiana, nos Estados Unidos, se transformou em um memorial dedicado à população negra que trabalhava como escravos no local. Inaugurado em 2014, é o único museu em fazendas coloniais a destacar a história e a memória da população negra local. O espaço reconstruiu prédios da época, como os barracões onde a população negra dormia, e tem em seu memorial um amplo acervo de narrativas autobiográficas dos negros que trabalhavam na região.

10. Martin Luther King

Imortalizado na história dos Estados Unidos pelo célebre discurso “Eu tenho um Sonho”, em que descreve o modelo de País ideal em que suas filhas poderiam ser tratadas sem distinção pela sua cor, Martin Luther King ganhou em 2011 um imponente memorial em Washington DC. A obra é carregada de referências e simbolismos. Primeiro, por ter sido inaugurada pelo ex-presidente Barack Obama, após mais de 20 anos de planejamento e produção da obra de 9 metros de altura em granito. A estátua é a única de um homem negro localizada no National Mall, o pavilhão das grandes personalidades da história política dos Estados Unidos, alinhada aos ex-presidentes Jefferson e Lincoln.  O Endereço do memorial, Avenida Independência, 1964, é uma referência à data de assinatura da Lei dos Direitos Civis, uma das principais bandeiras do ativista assinado quatro anos depois.  A concepção do monumento leva em consideração um discurso do reverendo: “De uma montanha de desespero, uma pedra de esperança“. A escultura de Martin Luther King  é esculpida em um grande bloco de pedra, em referência à Esperança, que por sua vez está localizado à frente de duas paredes de granito, representando as montanhas de desespero.

Inspiração: The Root