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27 de abril de 2018

Black Sampa

Você conhece a origem do bairro da Liberdade, em SP?  A cidade preserva riquezas da cultura negra: confira dez dicas de exposições, gastronomia, música e várias atrações!

 

Hoje reconhecido como um marco da imigração japonesa no Brasil, o bairro da Liberdade tem uma história marcada pela luta da população negra na São Paulo do período colonial. A região era considerada periférica, distante do Centro urbano, na região da Sé e São Bento. O local sediava o ‘pelourinho’ e uma Forca, onde eram executados e condenados muitos africanos escravizados. Por isso, a igreja  popularmente denominada Igreja das Almas ou dos Enforcados, foi construída no local por conta dos casos de comoção pública contra as condenações.

O local foi ocupado na virada do século XVII por negros libertos e descendentes de escravos, que mais tarde sofreriam remoções para as reformas urbanas que dariam espaço para a ocupação de imigrantes – primeiro, os italianos e somente no século passado, os japoneses.  O mesmo processo de remoção e invisibilidade aconteceu no Bairro do Bixiga, onde se concentraram marcos do período abolicionista!

Em constante processo de apagamento e reconstrução de sua própria narrativa histórica, São Paulo, como outras cidades, recebe neste ano uma série de ações culturais focada na valorização da memória da população negra e sua contribuição para a cidade. Listamos  10 opções para quem quer viver a cultura negra na cidade !

 

Aparelha Luzia

Centro cultural-bar-lugar-de-resistência ou “associação-preta-política-artística-gentista-destruidora-das-razões-dominantes”, como descreve a artista e anfitriã, Erica Malunguinho, à frente do espaço localizado em um galpão na rua Apa, número 78, nos arredores do metrô Marechal Deodoro. Ali acontecem festas com djs e música afro-brasileira, além de palestras, debates e eventos culturais focados na produção artística negra, que envolvem tanto brasileiros quanto imigrantes africanos que vivem em São Paulo e fazem daquele lugar um ponto de encontro e pertencimento.

 

Gastronomia africana

Com o grande fluxo de imigrantes africanos de diferentes regiões, o centro de São Paulo guarda boas surpresas da culinária diásporica! Para encontrar referências diversas num mesmo lugar, a melhor pedida é o restaurante Biyou’Z, que fica localizado na Rua Barão de Limeira, 19. A chef é a camaronesa Melanito Biyouha apresenta receitas típicas do País, mas também de outras gastronomias como Nigéria, Angola, Moçambique e Gana. As especialidades são os peixes fritos e camarões, com diferentes acompanhamentos. O attieke (R$ 32), por exemplo, combina cuscuz de mandioca, peixe frito, vinagrete, refogado de tomate e ovo cozido.

Samba Rock

Estilo musical que mistura movimentos do rock and roll com passos do samba de gafieira, é uma tradição paulistana e movimenta as noites de quinta-feira no Centro da Cidade. Na rua Don José de Barros, os djs animam o baile a céu aberto até altas horas. O gênero nasceu por volta dos anos 70 e popularizou-se por meio de festivais que aconteciam periferias de São Paulo e também no Rio de Janeiro, onde acabou perdendo espaço para o funk. Entre os artistas, Jorge Ben destaca-se como um dos grandes precursores do estilo que já foi chamado de sambalanço, swing e rock samba.

Sarau Cooperifa

Precursor do movimento de saraus de periferia no País, o evento é descrito como o momento em que  “a poesia desce do pedestal e beija os pés da comunidade”. Os encontros acontecem há 17 anos sob idealização do poeta Sérgio Vaz, nas terças-feira.  no Bar do Zé Batidão, que funciona como um centro cultural da comunidade. O sarau ocorre às terças-feira, no bar localizado na Rua Bartolomeu dos Santos, 797 Chácara Santana.  Nos demais dias, acontecem mostras de filmes e outros eventos.

 

Ex-África – CCBB

Começa neste final de semana em São Paulo a mostra que já passou por Rio e Belo Horizonte com grande repercussão de público e crítica. A exposição traz um grande e essencial panorama da arte contemporânea do continente e da identidade da África moderna, a partir do olhar de 18 artistas de oito países, como Senegal, Angola, Nigéria, África do Sul, Benin e Zimbabwe. Com performances, instalações, fotografias, vídeos, esculturas e telas, a mostra expressa as relações entre a vida atual no continente e as heranças e marcas históricas da escravidão, colonização e sucessivos processos de intercâmbios permitidos pela diáspora. Entre os destaques, estão a mostra de fotos do senegalês Omar Victor Diop.

A exposição é gratuita e será aberta ao público a partir do dia 28 de abril, e fica disponível para visitação diariamente, exceto às terças-feiras.

 

Ancestralidade dos Símbolos – Emanoel Araújo – MASP

Neste ano, o Masp está com uma programação dedicada às histórias afro‑atlânticas. Com isso, parte das exposições, debates e oficina enfoca a arte produzida na Diáspora Africana! Entre elas, a mostra de telas e esculturas de Emanoel Araújo, baiano de Santo Amaro e idealizador do Museu Afro-Brasil, no Ibirapuera. As obras mesclam tradições modernistas brasileiras e europeias, na forma geométrica, com a visão política do PanAfricanismo,  e o legado da cultura negra, de ascendência Iorubá, tradição situada no Benin e Nigéria.  Entre as obras, está a série Navios, que expressa de forma contundente a violência da escravização. Outro ponto alto da mostra são as esculturas dedicadas aos orixás, com grande força poética e ritualística.

Aproveitando a visita ao MASP, é imperdível conferir a mostra da artista plástica Maria Auxiliadora, que retratou de forma autêntica o cotidiano de simplicidade, resistência e afirmação nos subúrbios de São Paulo entre 1935 e 1974, quando faleceu de câncer. Com pinturas em relevo sobre temas rurais, casais e a paisagem urbana, além de aspectos religiosos, a mostra evidencia a beleza da produção artística fora dos padrões acadêmicos e das galerias.

 

Jamaica, Jamaica – Sesc 24 de Maio

Quem pensa que a Jamaica vive só de reggae, pode se surpreender como a ilha na América Central influenciou a música global com diferentes ritmos e inovações técnicas hoje celebrados mundialmente: ska, dub e os incríveis amplificadores sound system! A mostra aborda a cultura e história da Jamaica a partir de suas forte cultura musical que provocou alterações inovadoras na indústria da música – como a gravação de fonemas padrão para diferentes canções e a criação de estúdios independentes que difundiam a música local nas periferias da capita Kingston.

O teor de lamento e exaltação da cultura negra e ancestralidade africana presentes nas letras e canções de protesto do País durante sua colonização, independência e posterior luta por afirmação também compõem parte importante da mostra, criada originalmente na Cité de La Musique, em Paris. A vida do ícone Bob Marley também é destaque, com imagens raras do chamado “primeiro e maior ícone cultural pop do terceiro mundo”. Ah! A exposição também tem uma rádio própria, disponível em https://radiojamaica.sescsp.org.br/, com 24h de programação!

Seydou Keita – IMS

Para completar a programação da Av. Paulista, está em cartaz até julho a mostra de fotografias de Seydou Keïta (1921-2001), composta por retratos dos habitantes do Mali, seu país natal. Ao todo, são mais de 120 imagens expostas – desde postais a murais de grandes dimensões.

Parte da coleção é inédita no Brasil – foram feitas entre 1948 e 1962, a mostra revela o modo de vida do país, como vestuário e hábitos dos habitantes da região de Bamako, onde o artista trabalhava, em um período de transformação do Mali, que viveu a independência política em 1960.

 

Ajeum da Diaspora

Idealizado por Angélica Moreira, o restaurante consagrado em Salvador (BA) realiza uma circulação por diferentes capitais para apresentar e valorizar a culinária afro-brasileira, com toques originais e contemporâneos. Neste domingo, 29, o menu completo custa R$ 65 por pessoa e inclui as entradas, acompanhadas por sucos naturais, e  bebidas como o ‘Fufu’, composta com aguardente, coco e gengibre, o ‘Dedeu’, uma batida fresca de tamarindo e o ‘Jajá’, feito com maracujá. O prato principal será Eran com banana da terra, uma releitura da tradicional moqueca de carne. Para embalar o encontro, um pocket show da cantora baiana Josyara. Reservas  aqui.

 

Samba da Vela – Santo Amaro

Quem disse que não tem samba em SP ? Além da tradição de Adoniran Barbosa e outros bambas, o ritmo mais brasileiro está presente e vivo há 17 anos na roda  “Samba da Vela”, que acontece todas as segundas-feiras no bairro de Santo Amaro. Ali, estão reunidos simpatizantes, cantores, músicos e compositores os quais apresentam músicas inéditas diretamente para o publico, enquanto uma vela está acesa ao centro da roda. Quando ela se apaga, é hora de encerrar o ritual!

 

#VivaDiaspora

 

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