A arte preta ganha destaque em mostras que celebram beleza, força ancestralidade e criação e novos futuros
As bienais de arte sempre movimentam o calendário cultural paulistano – e este ano não é diferente. A cidade vive um momento em que a arte preta ocupa o centro da cena, com curadorias, artistas e narrativas que afirmam nossa presença e multiplicam olhares. Preparamos uma seleção com exposições imperdíveis que estão transformando São Paulo em um grande mapa de ancestralidade, criação e futuro.
Com curadoria do camaronês Bonaventure Soh Bejeng Ndikung e equipe internacional, a 36ª Bienal se inspira no poema “Da calma e do silêncio”, de Conceição Evaristo, para propor uma reflexão sobre a humanidade como prática. A mostra é um convite à escuta, ao encontro e à transformação — um verdadeiro estuário de ideias e afetos. Entre os 125 artistas, estão nomes como Gê Viana, Nadia Taquary, Maxwell Alexandre, Lidia Lisbôa e Zózimo Bulbul, que dão corpo e alma à potência da arte afro-brasileira.
📍 Pavilhão Ciccillo Matarazzo, Parque do Ibirapuera | Até 11 jan 2026
Referência em revelar novos talentos, o programa chega à 34ª edição reafirmando seu papel de vitrine da arte contemporânea brasileira. São 24 artistas de diferentes regiões do país, compondo um retrato diverso, vibrante e coletivo da produção atual. Entre os destaques, artistas negros como Marcel Diogo, Pedro Neves, Mariana Rocha, Lucas Almeida e Victor Fidelis trazem obras que ecoam identidades e cotidianos plurais.
📍 Centro Cultural São Paulo | Até 23 nov 2025
Artista fundamental das artes visuais e do carnaval de Salvador, Alberto Pitta traz à cidade sua primeira individual em São Paulo. Inspirado em pássaros sagrados da cultura yorubá, o criador do Cortejo Afro apresenta pinturas e serigrafias que falam de proteção, realeza e renascimento. Uma revoada de cor, memória e espiritualidade.
📍 Galeria Nara Roesler | Até 20 dez 2025
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Em sua primeira individual em São Paulo, Isa do Rosário transforma o ato de bordar em ritual e oração. Tecendo mitos, rios e orixás, ela costura memórias ancestrais em tecidos vivos — um gesto que une poesia, natureza e resistência.
📍 Museu Afro Brasil | Até 27 dez 2025
O pernambucano Arlindo de Souza Amorim, conhecido como Xirumba, é patrimônio vivo e guardião da cultura popular. Desde 1970 suas imagens acompanham o maracatu Cambinda Brasileira e revelam a beleza do movimento, da festa e da fé do povo preto nordestino.
Marquise do Museu Afro Brasil | Até 27 dez 2025
Reunindo 25 artistas mulheres da África, França e Brasil, essa mostra celebra a criação feminina como gesto político e afetivo. São obras que falam de corpo, autonomia e ancestralidade, abrindo espaço para novas narrativas vindas do Sul global.
📍 Sesc Pompeia | Até 18 jan 2026
Inspirada pelo pensamento do martinicano Édouard Glissant (1928-2011), a exposição reúne obras de sua coleção pessoal que traduzem sua visão de mundo: a errância, a pluralidade e o encontro. O conjunto propõe um mergulho em memórias e diásporas, com nomes como Arébénor Basséne, Wifredo Lam e Victor Anicet, entre outros.
📍 Instituto Tomie Ohtake | Até 25 jan 2026
Juliana dos Santos transforma pigmentos naturais — como catuaba, erva-mate e pau-brasil — em cores vivas que respiram e mudam com o tempo. Seu trabalho une arte, história e educação, e reflete sobre práticas de artistas negros que rompem limites da representação. Em Temporã, a impermanência do azul da flor Clitoria ternatea torna-se metáfora de um mundo em constante movimento e transformação.
📍 Pina Contemporânea | Até 08 fev 2026
Fotógrafo e cineasta essencial do século XX, Gordon Parks (1912–2006) registrou com sensibilidade e força política a experiência negra nos Estados Unidos. São mais de 200 trabalhos que revelam o cotidiano, as lutas civis e os sonhos de um povo que fez história. Entre retratos marcantes estão figuras como Malcolm X e Muhammad Ali.
📍 IMS Paulista | Até 1º mar 2026
Extra:
Depois de passar por Rio e Salvador, a mostra Ònà Irin chega a São Paulo trazendo o universo simbólico das joias de crioula e das tradições nagô e yorubá por meio das obras da artista baiana Nádia Taquary . Com esculturas, instalações e trilha sonora de Tiganá Santana e Virgínia Rodrigues, a mostra celebra o sagrado feminino e a força ancestral que atravessa o tempo.
📍Sesc Belenzinho | 24 out 2025 a 22 fev 2026
14/10/2025