Mais de 660 obras de artistas nordestinos retornam ao Brasil
Salvador acaba de ganhar um novo capítulo na história da arte afro-brasileira. No dia 13 de março, o Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB) inaugura “Inclassificáveis”, exposição que apresenta ao público o maior conjunto de obras de arte já repatriado ao Brasil.
A mostra marca o início da apresentação pública do acervo Con/Vida, um conjunto de mais de 660 obras de artistas nordestinos que passaram décadas nos Estados Unidos e agora retornam ao país. Parte desse acervo – mais de 100 trabalhos – integra a exposição inaugural em Salvador.
Entre pinturas e esculturas, as obras pertenciam ao Instituto Con/Vida, em Detroit, e foram reunidas ao longo de mais de 30 anos pelas colecionadoras Bárbara Cervenka e Marion Jackson, que formalizaram a doação ao museu. O retorno dessas peças representa não apenas um gesto de restituição cultural, mas também um marco para o patrimônio artístico brasileiro.
Com curadoria de Jamile Coelho e Jil Soares, a exposição propõe uma reflexão crítica sobre as formas como a produção artística negra foi historicamente classificada.
Durante décadas, muitos desses trabalhos foram enquadrados em categorias como “naif” ou “primitiva”, rótulos que frequentemente reduziram a complexidade estética, política e histórica da arte afro-brasileira.
“Inclassificáveis” surge justamente para questionar essas categorias e apresentar a diversidade de linguagens presentes nessa produção. Como explica Jamile Coelho, diretora artística do museu, a mostra busca romper com tradições classificatórias que limitaram a compreensão da arte negra.
A exposição está organizada em três núcleos curatoriais: “Restituir Sentidos”, “Escolas Invisíveis” e “Cotidianos”.
Juntos, esses eixos revelam trajetórias diversas e linguagens artísticas que dialogam diretamente com territórios da Bahia, como o Pelourinho e cidades do Recôncavo Baiano.
Entre os artistas presentes estão nomes como Sol Bahia, José Adário, J. Cunha, Louco Filho e Babalu, cujas obras revelam universos estéticos marcados por memória, cotidiano e pertencimento.
Mais do que uma exposição, “Inclassificáveis” convida o público a revisitar a história da arte brasileira por outras perspectivas — aquelas que reconhecem a centralidade da produção artística negra na construção da cultura do país.
Dica: durante o período inicial de abertura, de 13 a 23 de março de 2026, a visitação será gratuita — uma oportunidade especial para conhecer de perto essa exposição histórica.
Se você estiver em Salvador, vale incluir o MUNCAB no roteiro. Afinal, momentos como esse não acontecem todos os dias: é a arte voltando para casa e, com ela, novas formas de contar a nossa própria história. 🖤
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13/03/2026