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27 de novembro de 2017

Bracuí, resistência em Angra

O sábado foi dia de imersão. Dia de conhecer gente e histórias, nossas histórias.

A visita foi norteada por uma homenagem a uma intelectual brasileira, Azoilda Loretto da Trindade, ancestral. Em seus trabalhos, pesquisas e ensinamentos sempre levantou a questão de um olhar mais plural, onde as potencialidades pudessem ganhar seu devido lugar.

Na chegada fomos acolhidos por Marilda Souza, liderança quilombola do Bracuhy (Bracuí).

Ela nos conta a história do local que era a Fazenda Santa Rita do Bracuhy. Bracuhy por sinal é o nome de uma árvore da região. A fazenda pertenceu à família Breves, mais especificamente a José Joaquim Breves, que deixou as terras em testamento em 1877, aos seus escravos libertos e até a terceira geração. Após isso as terras seriam de usufruto como previa a legislação. As terras, de 290 alqueires, se estendiam desde o litoral até a barra da serra.

A história que mais me chamou atenção foi justamente este documento. Até a década de 1940 as famílias viviam ali sem serem incomodadas, mas a partir de então passou a sofrer investidas por parte de outros que reivindicavam a terra. Nesse processo de disputas abriu-se brecha para a construção da Rio-Santos, o que dividiu as terras praticamente ao meio.

A parte voltada para costa foi alvo de grilagem, vendas e especulação imobiliária. Muitas famílias saíram por migalhas e outras foram expulsas. Havia a necessidade de se encontrar um documento que atestasse o uso e propriedade da terra. Este documento foi encontrado quando um padre local solicitou a outras paróquias do RJ, SP e Minas que vasculhassem em cartórios locais. Finalmente o testamento foi encontrado em Piraí – RJ.

A informação de que o documento havia sido encontrado vazou e os advogados da parte que reivindicava as terras chegaram antes ao cartório e tentaram obter o documento. A desconfiança (ou ganância) do oficial do cartório fez com que ele esperasse pela oferta da outra parte. Quando este viu quem era a outra parte deve ter batido um arrependimento pela barganha frustrada (palavras de Dona Marilda).

O documento acabou sendo entregue aos líderes do quilombo e hoje é peça importante em ações judiciais contra os que ocupam as terras ser ter o devido direito. Hoje as disputas ficam nítidas por conta da valorização que a região teve nas últimas décadas. Uma linda região em Angra dos Reis.

Outro ponto de suma importância nesse processo foi o da luta de grande parte das famílias locais partirem do conhecimento de sua própria história. Isso é uma força a mais no movimento de resistência. Essa visita foi sem dúvidas, conhecimento, inspiração e força. Vale a visita, e vale conhecer a Marilda.

 

 Relato de nosso fundador, André Ribeiro! Encaminhe o seu relato para o email [email protected] ou compartilhe com a hashtag #VivaDiaspora ! Sua história é uma narrativa importante para valorizar nossa memória!

3 thoughts on “Bracuí, resistência em Angra

  • Mairce
    na 27 de novembro de 2017

    Oi, Andre, se não me engano o testamento estava em Barra do Pirai e não Pirai, essas são duas cidades diferentes. Concordo com você que tivemos um sabado primoroso e a presença da nossa querida Zo se fazia real entre nós, nas historias compartilhadas, nas lutas, na roda, na comida em todos os momentos. Ainda vou fazer meu relato de viagem, mas fica aqui minhas primeiras impressões. Bjs

  • na 13 de dezembro de 2017

    Muito bom artigo, parabéns pelo conteúdo

    • anlusari
      na 16 de dezembro de 2017

      Obrigado Robson!

Fechado para comentários.