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2 de outubro de 2017

Cachoeira, o berço

A brisa do Rio Paraguassu, na beira da Baía de Todos os Santos, o casario histórico e, ainda, a rica programação cultural da cidade…  Tudo isso e um pouco mais fazem de Cachoeira uma das principais matrizes da cultura negra do Brasil! A cidade no recôncavo baiano , localizada a cerca de 120 km de Salvador, é um berço único e de múltiplas linguagens, que preserva e atualiza a memória da cultura ancestral.

A cidade foi um grande ponto comercial do estado, e também uma região que concentrava muitos africanos de diferentes regiões, vindos para o País escravizados. A grande presença fez da cidade um espaço cosmopolita das culturas africanas, que moldaram parte das tradições do recôncavo baiano: como o samba de roda, a gastronomia e os rituais religiosos nas muitas casas de grande tradição.

Todos estes ingredientes fazem da cidade um atrativo à parte para visitação, mas a título de pretexto, um dos eventos mais concorridos é a Festa Literária Internacional de Cachoeira (Flica)! Neste ano, em sua sétima edição, a feira espera levar mais de 20 mil pessoas para o centro histórico da cidade nos dias 5 a 8 de outubro.

A programação envolve mesas e debates sobre literatura e questões nacionais, além de performances de teatro, música e atividades infantis por diferentes pontos da cidade.  Para dialogar com a tradição local, e após fortes críticas da comunidade cachoeirana contra a organização da Feira, a cada ano a programação ganha tons mais políticos e dá voz à questões raciais e da cultura afrobrasileira.

O grande nome da programação principal, neste ano, é a escritora  Paulina Chiziane, a primeira mulher a publicar um romance em Moçambique. Será sua primeira vez na Bahia, para discutir seu percurso e suas lutas para afirmar-se como escritora e pautar a história do País africano sob o olhar feminino.  Ao seu lado, a poetisa brasileira  Elisa Lucinda falará também sobre o desafio de popularizar a leitura e a poesia no País, e seu percurso em diferentes searas artísticas.  A mediação desse encontro, marcado para o dia 7, às 20h, será feita pela poeta Lívia Natália.

Outra mesa esperada pelo público para este ano reúne o escritor cubano Carlos Moore, autor da biografia autorizada do músico nigeriano Fela Kuti, e o ativista e escritor paulistano Cuti. Ambos fazem a mesa de abertura do evento, mediada pelo escritor baiano Jorge Portugal, sobre a negritude e os desafios de enfrentamento ao racismo diante de uma sociedade polarizada e cada vez mais excludente. A dupla se encontra na abertura da Flica, no dia 5, às 17h.

Cuti também participa da leitura dramática da peça Tenho Medo de Monólogo, com a atriz Vera Lopes, na programação paralela da Flica. Outros nomes que participam dos debates são a youtuber Jout Jout, a jornalista Tia Má, a escritora Cidinha Silva,  e o homenageado desta edição do evento, o poeta Ruy Espinheira Filho.

Ao longo do evento,  os casarões e espaços culturais abrigam exposições, feira de livros, leituras poéticas e muitas atividades para encher os olhos de moradores e visitantes. A programação infantil também é variada, com peças de teatro e apresentação do cantor Saulo Fernandes. À noite, na Praça da Câmara, ocorrem shows de artistas locais.

Entre um debate outro, que acontecem no Convento do Carmo, um dos principais conjuntos arquitetônicos da cidade, algumas atrações da cidade são imperdíveis. O passeio pelo Rio Paraguassu, o principal de toda a Bahia, é um deles. Em suas margentes,  é possível avistar ruínas e casarões das antigas fazendas coloniais, algumas abertas para visitação.  Também nas suas margens, diversas cidades constituem o chamado Recôncavo baiano, e fornecem as principais iguarias e temperos. Este é outro ponto imperdível: a culinária típica da região, que tem peixes de água doce e a tradicional Maniçoba baiana.

#VivaDiaspora