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15 de outubro de 2018

Experiência gastronômica em Joanesburgo

Em busca dos temperos ancestrais, a Dida Nascimento, idealizadora do Dida Bar&Restaurante, esteve em Joanesburgo e Moçambique e conta os destaques da viagem

 

Logo ao passar pela imigração em Joanesburgo, uma “surpresa”: todos são negros. Independente da posição de poder. Policiais, lojas de câmbio, de telefonia, funcionários de limpeza e transporte. Todos negros. E se o seu vôo for pela South African Airlines, a surpresa já começa no Brasil, no momento do embarque. Todas as aeromoças de nosso vôo eram mulheres negras, cada uma com um estilo próprio de cabelo. Do natural no estilo afro/black power, às tranças e ao alisado.

 

Cada uma com sua própria identidade, em contraponto à homogeneidade rotineira das demais companhias aéreas, em que o que vemos é realmente a personificação do que muitos entendem até hoje como padrão. Quase como se o mundo continuasse ainda parado nas antigas propagandas americanas da década de 1960. Mas a companhia aérea e também Joanesburgo não estão paradas no tempo.

 

Maboneng

Do lado de fora da feira dominical Market on Main, quem passa pelo viaduto e pela rua acinzentada sequer imagina a mistura multicolorida de sabores dentro do galpão, em Maboneng. A realidade é inesperada e farta em cultura e variedade. São diversos espaços nos quais nunca sabemos o que encontrar.

Entramos em uma espécie de galpão, e ali está um novo espaço de arte, moda e coworking em desenvolvimento. No outro, uma feira de gastronomia no primeiro andar e de moda local no segundo.Maboneng, onde estamos hospedadas, é chamado por alguns como o bairro mais descolado de Joanesburgo: é ponto de encontro dos amantes da música, arte e gastronomia. O preferido dos jovens da cidade.

 

Por conta da diversidade do bairro, encontramos comida de vários países da África. Inclusive do mundo. Nas barracas da feira encontramos tacos do México, Currys Indianos, Paellas da Espanha, Saladas com queijo Feta da Grécia, delícias etíopes servidas no repolho, assim como as saladas de feijões que servimos lá no Dida Bar e Restaurante.

 

Soweto

Dentro da casa simples em que viviam, hoje estão expostas várias representações físicas de talvez apenas uma pequena parte do que foi a luta da família. Estão lá também vários diplomas e documentos de reconhecimento de Mandela e sua família.
Nas paredes, também estão várias citações espalhadas, que nos dizem muito, não apenas sobre o aspecto da luta por liberdade e igualdade exatamente, mas também sobre construção de um ambiente e dinâmica familiar naquele contexto.
“Nossas historias tem que ser documentadas. Acredito que esse é o presente mais bonito que essa familia pode dar”, diz uma delas.

 

Na casa há muito de Mandela, mas há principalmente muito de sua então esposa, Winnie Mandela, e de suas filhas. Vale a pena a visita para conhecer mais do dos bastidores da trajetória inspiradora de luta e resistência dos Mandela.

 

 

Texto: Tamara Marques
Fotos: Luis Gomes