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Inspirar e organizar viagens que nos fortalecem

Com um ano de atuação, a BlackBird promove roteiros turísticos afrocentrados

Antes que Luedji Luna amplificasse em todas as paradas musicais as reflexões de ser “Um Corpo Negro no Mundo”, o jornalista, escritor e empresário Guilherme Dias Soares já sentia na pele os atritos e alegrias dessas jornada, ao percorrer 23 países em cerca de um ano. Seus relatos viraram um livro, o Dias pela Estrada, mas as experiências sensoriais nesses países o fizeram pensar na potência de se reconhecer nos locais por onde viajamos.

“Não é viajar por viajar. Você vai ter experiências sensoriais, da gastronomia, da música, ter contato com a história oral do lugar, com locais de memória. Quando a gente conhece locais que tem a ver com nossa história, a gente sai fortalecido. Isso tem significado”

De volta ao Brasil, além de publicar o livro, decidiu criar uma empresa para inspirar e promover viagens com esse significado. Assim, em 2018 surgiu a Black Bird Viagem e Representatividade, em sociedade com a relações públicas Luciana Paulino. Em apenas um ano, a empresa é uma referência em curadoria e conteúdo sobre turismo e representatividade.

“Tem muito blogueiro de viagem, muita gente contando sobre o viajar, mas a gente percebeu que tinha poucas pessoas negras. A gente busca inspirar pessoas negras a viajarem mais, e se propõe a organizar viagens de cultura e história negra”, resume o sócio-fundador da empresa.

O primeiro passo para essa construção foi a organização da Caminhada São Paulo Negra, que acontece todos os meses desde junho de 2018. Demarcando territórios negros no centro da maior cidade do País e ressignificando as narrativas sobre a história da cidade, o roteiro se tornou um sucesso entre turistas e paulistanos.

Público se diverte e reflete sobre memórias e personalidades negras de São Paulo

“A maior parte dos lugares não tem placas que os sinalizam e nossa história é muito oral. É importante contarmos ela para mantê-la viva”, afirmou o rapper Rincon Sapiência, que participou da caminhada em maio, e ainda levou um grupo de fãs para viver a experiência.

São os próprios Guilherme e Luciana que conduzem o público, ao lado do produtor cultural Heitor Salatiel. Personagens negros importantes para a memória de São Paulo, a atual ocupação africana no centro da cidade, reflexões sobre as reais origens do bairro da Liberdade, e seu apagamento, são temas que fizeram o roteiro ser indicado como um dos sete projetos que mais transformam a relação dos cidadãos com a cidade.

“A gente desvenda histórias que estão ali no cotidiano, em locais onde as pessoas passam todos os dias sem saber que são lugares importantes para a identidade negra. As pessoas saem surpreendidas, instigadas a saber mais e cor-responsabilizadas a passar pra frente, e chamar outras pessoas para ouvir”, comemora Guilherme Dias. A próxima saída é no dia 09 de junho.

Além da caminhada, a empresa também oferece o serviço de receptivo a viajantes de outros países e cidades, para apresentar a “efervescência” da cultura e contextualizar a história negra em São Paulo. Os guias levam o público a locais como o Museu Afro, ao Aparelha Luzia, entre outros locais. Quem esteve com eles foi, ninguém menos que os realizadores do AfroPunk,  Jocellyn Cooper e Mathew Morgan!  

Luciana e Guilheme nas pontas, entre Jocellyn Cooper, Adriana Barbosa e Mathew Morgan

Dali surgiu a parceria que promete levar a Black Bird a novos voos, em 2020. A empresa planeja organizar grupos de viagens para viver a experiência afrofuturistica promovida pelo maior festival de música negra do mundo – hoje presente em cidades como Nova York, Londres, Paris e Johanesburg e, em breve, com edições também no Brasil.  

Antes de se lançar para o exterior, a BlackBird é uma das parceiras na tríade de empresas de turismo afrocentrado que organiza a Expedição Palmares. Em novembro, durante quatro dias, um grupo especial irá conhecer locais de afeto e memória da cultura negra em Maceió, as praias e comunidades tradicionais da região, além de uma visita guiada especial ao Parque Memorial Quilombo dos Palmares.

“Quando estive em Palmares, a sensação que eu tive era de que as células do meu corpo estavam se reorgnizando completamente. Foi assim que uma amiga descreveu sua primeira viagem à África, é uma sensação indescrítivel. E queremos que mais pessoas sintam isso”, resume Luciana Paulino.

Quem não quer sentir algo assim?

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