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21 de dezembro de 2018

Jovens, brilhantes e revolucionários

Considerado um dos maiores festivais multiculturais do mundo, saiba quais são os nomes por trás do Afropunk

Por Thais Ribeiro

O festival surge nos EUA por volta dos anos 2000, muito mais como um movimento orgânico do que propriamente um festival de música. Com o lançamento do documentário Afropunk, de James Spooner, já citado no post anterior, pessoas que até então não tinham espaço puderam se identificar como uma comunidade por meio do Afropunk.com. Foi assim com os negros, latinos e mestiços, que ouviam bandas punks e frequentavam clubes alternativos da época.

Hoje, com o crescente levante do movimento negro em busca de autodeterminação, palavras como “afro” e “punk” são totalmente associáveis, já que ambas se referem a símbolos de resistência política: o movimento punk como contracultura surgida nos anos 70, e o movimento negro com grupos como os Panteras Negras, firmado nos anos 1960 com a Luta pelos Direitos Civis.

No entanto, naquela época, a conjunção desses termos era improvável, e foi justamente isso que instigou o jovem James Spooner. A ideia era fazer com que pessoas iguais a ele pudessem dialogar umas com as outras, sobretudo em questões raciais, e questionar a falta de representatividade negra nos discursos políticos dentro da cena punk.

O visionário Mathew Morgan, empresário musical, juntou-se a Spooner com o objetivo de fazer com que esse movimento se tornasse algo maior, produzindo uma série de shows e exibições do filme, o que resultou poucos anos depois no Afropunk Festival.

James Spooner

Nascido na Califórnia, chegou a morar no Panamá mas, ao se mudar para Nova York, Spooner se envolveu ativamente na cena hardcore, trabalhando com produção de fanzines, frequentando shows e lançando bandas por sua gravadora Kidney Room Records. Escreveu e dirigiu o documentário White Lies Black Sheep e Afropunk. Este último originou a série de shows Liberation Session, onde fazia a curadoria. O evento foi o precursor do Afropunk Festival, que teve Spooner como cofundador junto com Mathew Morgan, em 2003.

Em 2008, por diferenças ideológicas e por discordar de como o evento estava sendo conduzido, Spooner se desligou do festival.

Já atuou como DJ em badaladas festas de Nova York, e também fundou um festival chamado Summer Happenings. Atualmente mora em Los Angeles e trabalha como tatuador especializado em pele negra, vinculando tatuagem ao veganismo, além de produzir uma novela gráfica.

Mathew Morgan

Nascido em Londres, atualmente reside na cidade de Nova York. Morgan é um empreendedor desde a adolescência, quando vendia sapatos e bijuterias num comércio de rua próximo ao tradicional bairro londrino, Shoreditch. Obcecado por música, cresceu nos anos 1980 envolvido com a cultura hip hop, e diz que o viés político das culturas urbanas sempre foi o centro de seu engajamento com outras manifestações artístico-culturais. Após se mudar para os EUA, Morgan se tornou um empresário de êxito de artistas como Santigold e Doc McKinney, e em 2000 se aliou à Spooner para a divulgação do documentário Afropunk.

Viu emergir ali uma manifestação autêntica de pessoas com interesses em comum sem nenhum tipo de representatividade, e decidiu que se juntaria a Spooner para dar voz a tudo aquilo. Após alguns anos, o Afropunk Festival já estava em cena.

Em 2008, com a saída de Spooner da direção do festival, Jocelyn Cooper entrou em seu lugar e, junto com Morgan, desenvolveram um trabalho de expansão global do evento.

Mathew Morgan e Jocelyn Cooper

Jocelyn Cooper

Jocelyn carrega uma trajetória relevante na indústria musical, tendo ocupado a diretoria da A&R, uma das maiores gravadoras de música do mundo, a Universal Music. A A&R é o departamento responsável pela busca de novos artistas e pelo desenvolvimento da empresa. Após a saída de Spooner, Cooper formou sociedade com Morgan, e foi a grande responsável por desenvolver o marketing do evento e expandir o festival para outras partes do mundo por meio de uma rede de patrocinadores.

Hoje, o Afropunk tem edições em Londres, Paris, Atlanta, e desde 2017 o promovem na cidade de Joanesburgo, o maior centro urbano, comercial e cultural da África.

A expectativa do festival acontecer no Brasil é grande, inclusive essa possibilidade já foi considerada pela alta cúpula do evento. Por ora, Joanesburgo é a grande novidade, uma cartada mais que certeira de seus realizadores, e a edição sediada na cidade este ano irá acontecer entre os dias 30 e 31 de dezembro.