Redefinir Senha

Busca Avançada
Your search results
28 de setembro de 2018

Memórias Afro Atlânticas

Últimas semanas para conferir a mega exposição sobre a memória da diáspora africana em duas dos principais centros culturais de São Paulo

 

Termina no próximo dia 21 de outubro a mais emblemática mostra de arte negra no Brasil. Com mais de 450 trabalhos de 214 artistas, do século 16 ao 21, a exposição Histórias Afro Atlânticas deu visibilidade para a leitura artística, nas mais diferentes linguagens sobre os fluxos de pessoas entre a África, as Américas, o Caribe e a Europa desde o período colonial aos dias atuais.

A mostra ocupa dois dos principais centros culturais de São Paulo: O Masp, na Av. Paulista, e o Instituto Thomie Ohtake, em Pinheiros. O Masp tem acesso gratuito às terças e quartas, para a exposição. E o Thomie Ohtake tem acesso livre todos os dias.

Imagens da série “Aceita?”, de Moisés Patrício

No primeiro espaço, uma leitura histórica e tradicional da ‘arte’ dos grandes museus: obras de artistas plásticos de diferentes linguagens, negros e não negros, apresentando suas visões sobre temas específicos e atemporais da vivência e trânsito dos corpos negros pelo mundo ocidental. Na segunda galeria, uma abordagem mais contemporânea, de resistência, com vozes insurgentes e leituras divergentes sobre a ‘arte’ e a representação da cultura e memória negra nesses espaços de disputas simbólicas.

A Diáspora africana nos impôs uma condição contínua, está implicada em nossas identidades. E a exposição é emblemática e histórica ao amplificar múltiplas vozes e leituras sobre essa condição diaspórica – seja pelo viés político, seja pelo viés subjetivo.

Por isso mesmo, foi alvo de críticas quanto aos critérios de curadoria do espaço e das obras a ocupar os holofotes. A curadoria da mostra é de Adriano Pedrosa e Lilia Schwarcz, junto com Ayrson Heráclito e Hélio Menezes, curadores convidados, e Tomás Toledo, curador assistente.

“Histórias afro-atlânticas parte do desejo e da necessidade de traçar paralelos, fricções e diálogos entre as culturas visuais dos territórios afro-atlânticos—suas vivências, criações, cultos e filosofias”, diz o catálogo da exposição.

A disposição temática envolve temas comuns às diferentes experiências dos corpos negros ao redor do Oceano Atlântico: o mar hostil que separa descendentes de suas origens, e, ao mesmo tempo, o fluxo de conexão entre os diversos caminhos e histórias que construímos.

Entre os temas, no MASP, constam Mapas e Margens, Cotidianos, Ritos e Ritmos e Retratos (no primeiro andar), Modernismos afro-atlânticos (no primeiro subsolo) e Rotas e Transes: Áfricas, Jamaica e Bahia (no segundo subsolo). No Thomie Ohtake, estão as obras com temáticas segmentadas como Emancipações e Resistências e ativismos.

Há desde youtubers e ativistas digitais, como AD Junior, como também artistas plásticos em projeção internacional, como Moisés Patrício e Paulo Nazareth. Além de nomes da fotografia e artes internacionais.

É impossível passear despretensiosamente pelas exposições e não se deixar abater e afetar pela potência da poesia ali traduzida em imagens, esculturas, pinturas, fotografias, instalações e vídeos. É uma grande viagem pelo percurso de construção de nossas identidades, desde a violação de nossas origens até à desconstrução cotidiana de referências coloniais sobre nossas existências e corpos.

É um mergulho profundo sobre a História do País e também sobre as histórias de pessoas que vivem no País, das pessoas que construíram o País e daquelas que antecederam, os ancestrais que semearam a resistência pela cultura, pela luta política, pela memória e legado dos valores civilizatórios afro-diaspóricos.

É uma oportunidade única de encontrar reunidas em dois espaços, um grande espectro de obras que refletem as desigualdades persistentes. Desigualdade que está presente e nítida também nos próprios espaços de contemplação das obras – a visitação à exposição, a reação do público e as leituras e comentários sobre as obras ali presentes renderiam tantas mais reflexões e inspirações para novas mostras sobre as memórias negras do Brasil.

#VivaDiaspora