7 sambas-enredo afro para torcer – Diaspora.Black

Redefinir Senha

Buscar Destino
Seus resultados de busca

7 sambas-enredo afro para torcer

Escolas de samba homenageiam temas afro e grandes nomes da luta do povo negro por liberdade e igualdade

Se você curte acompanhar os desfiles das escolas de samba no Sambódromo e na Sapucaí, se prepara porque esse post está nada menos que lacrador!

Para te situar melhor nesse carnaval, reunimos aqui todos os sambas-enredo que trazem temas afro ou que homenageiam personalidades negras das escolas do grupo especial do Rio de Janeiro e São Paulo. O carnaval 2019 é preto, meu bem!

Partiu decorar as letras de luta, resistência e celebração e torcer pra sua escola favorita na avenida?

Mangueira

A Estação Primeira de Mangueira vai levar para a Sapucaí o samba-enredo intitulado “História para ninar gente grande”. Será uma homenagem a importantes heróis populares – negros, índios e pobres – da história do país, apagados da nossa memória coletiva e dos livros escolares.

Assim, nossos verdadeiros heróis finalmente terão nomes, já que a história oficial sempre recontou uma versão elitista, narrada pelos detentores de prestígio econômico, político e social. Uma das heroínas mencionadas no samba-enredo é a vereadora Marielle Franco, morta a tiros no dia 14 de março de 2018 no Rio de Janeiro.

No site oficial da agremiação, encontramos um belo manifesto: “Ao dizer que o Brasil foi descoberto e não dominado e saqueado; ao dar contorno heroico aos feitos que, na realidade, roubaram o protagonismo do povo brasileiro; ao selecionar heróis ‘dignos’ de serem eternizados em forma de estátuas; ao propagar o mito do povo pacífico, ensinando que as conquistas são fruto da concessão de uma ‘princesa’ e não do resultado de muitas lutas, conta-se uma história na qual as páginas escolhidas o ninam na infância para que, quando gente grande, você continue em sono profundo.”

Então bora transformar essa letra em inspiração para nossas lutas? Confira o samba-enredo na íntegra.

Brasil, meu nego, deixa eu te contar

A história que a história não conta

O avesso do mesmo lugar

Na luta é que a gente se encontra.

Brasil, meu dengo, a Mangueira chegou

Com versos que o livro apagou

Desde 1500, tem mais invasão do que descobrimento.

Tem sangue retinto, pisado

Atrás do herói emoldurado.

Mulheres, tamoios, mulatos

Eu quero o país que não tá no retrato.

Brasil, o teu nome é Dandara

Tua cara é de Cariri

Não veio do céu nem das mãos de Isabel

A liberdade é um Dragão no mar de Aracati

Salve os caboclos de Julho

Quem foi de aço nos anos de chumbo

Brasil, chegou a vez de ouvir as Marias, Mahins, Marielles e Malês.

Mangueira, tira a poeira dos porões

Ô, abre alas

Pros seus heróis de barracões

Dos Brasis que se faz um país de Lecis, Jamelões.

São verde e rosa as multidões.

 

Salgueiro

A Salgueiro traz como tema para este carnaval o orixá Xangô, padroeiro da escola carioca. O samba-enredo assinado pelo carnavalesco Alex de Souza é uma reverência ao orixá que representa a Justiça. Alex já tinha trazido temáticas afro em seus trabalhos anteriores: em 2017, na Vila Isabel, falou sobre a música negra, e em 2018, na Salgueiro, exaltou as mulheres negras.

A letra também homenageia Júlio Expedito Machado Coelho, conhecido como o Xangô do Salgueiro. Em 1969, a agremiação ganhou o carnaval carioca com o enredo “Bahia de todos os deuses”, quando Júlio representou o orixá pela primeira vez, o que continuou fazendo até sua morte em 2007.

Aprenda a letra:

Vai trovejar!!!

Abram caminhos pro grande Obá

É força, é poder, o Aláàfin de Oyó

“Oba Ko so!” ao Rei Maior

É pedra quando a justiça pesa

O Alujá carrega a fúria do tambor

No vento a sedução (Oyá)

O verdadeiro amor (Oraiêiêô)

E no sacrifício de Obà (Oba xi Obà)

Lá vem Salgueiro!

Mora na pedreira, é a lei na terra

Vem de Aruanda pra vencer a guerra

Eis o justiceiro da Nação Nagô

Samba corre gira, gira pra Xangô

Rito sagrado, ariaxé

Na igreja ou no candomblé

A benção, meu Orixá!

É água pra benzer, fogueira pra queimar

Com seu oxê, “chama” pra purificar

Bahia, meus olhos ainda estão brilhando

Hoje marejados de saudade

Incorporados de felicidade

Fogo no gongá, salve o meu protetor

Canta pra saudar, Obanixé kaô

Machado desce e o terreiro treme

Ojuobá! Quem não deve não teme

Olori XANGÔ eieô

Olori XANGÔ eieô

Kabecilê, meu padroeiro

Traz a vitória pro meu Salgueiro!

 

Mancha Verde

O tema da Mancha Verde para este carnaval é “Oxalá, salve a princesa! A saga de uma guerreira negra”. O samba-enredo narra a história da princesa africana Aqualtune, avó de Zumbi dos Palmares, que foi brutalmente retirada do Congo e trazida para o Brasil escravizada. Chegando aqui, ela viu seu povo subjugado e injustiçado, e lutou não apenas pela sua liberdade, mas pela igualdade e liberdade dos seus, pelos direitos dos negros e das mulheres, e contra a intolerância religiosa.

A proposta do tema veio do presidente da Mancha Verde, Paulo Serdan, que contratou o carnavalesco Jorge Freitas para realizar o sonho de conquistar o Sambódromo com esse samba-enredo.

 

 

 

Aprenda a letra:

Ô oraieieô… oraieieô mamãe Oxum

Um ventre de luz, o fruto do amor

Kaô Kabecilê Xangô

África, suntuosa riqueza

África, reluz o encanto e a nobreza

A fé conduz o Congo a lutar

Tristeza marejou meu olhar

Oh Senhor, tem piedade

Dos corações sem liberdade

A alma que chora, a pele que sangra

Qual será o meu valor?

Entrego minha vida

Rainha do mar, Iemanjá

Aportou, na terra do sol e do maracatu

Vidas no suspiro derradeiro

Na fria solidão do cativeiro

Mãos calejadas a lavourar

Não perdi a fé nos orixás

Senhora do Rosário, oh Nossa Senhora

Aos pés do seu altar, clamo a igualdade

Palmares, vi um céu de luz e liberdade

A força de Zumbi a nos guiar

Nas bênçãos de Oxalá

Tambores vão ecoar, a festa vai começar

O meu batuque traz a força do terreiro

A Mancha Verde é Kizomba amor

Salve a princesa! Viva o povo negro!

 

Vai-Vai

O samba-enredo da Vai-Vai, “O quilombo do futuro”, faz uma viagem no tempo para contar as lutas, tradições e conquistas do povo negro ao longo dos anos. É através de fragmentos diversos dessa história que os carnavalescos Hernani Siqueira e Roberto Monteiros constroem uma poderosa homenagem aos quilombolas, passando por referências aos orixás africanos, revoltas populares, exploração colonial e importantes figuras históricas, como Mandela e Zumbi dos Palmares.

A filósofa Djamila Ribeiro e a advogada Valéria Santos, que foi algemada no ano passado em um fórum no Rio de Janeiro, estão entre as personalidades convidadas que vão desfilar na escola. “É um grito de resistência, de mostrar que a população negra avançou nos últimos anos e que a gente não pode aceitar cortes de políticas importantes. Então, ter um carnaval como esse da Vai-Vai é também para dizer que a gente vai continuar lutando e vai celebrar as conquistas”, disse a filósofa em entrevista ao Uol.

Além das convidadas, a Vai-Vai também prepara uma comissão de frente com artistas senegaleses, em referência aos movimentos de diáspora contemporâneos. E a intérprete Grazzi Brasil é a única mulher a comandar o microfone principal de uma escola de samba em São Paulo.

Aprenda a letra!

É que eu sou da pele preta

Quilombo do povo

Sou Vai-Vai

Um privilégio que não é pra qualquer um

Protegido e abençoado por Ogum

Axé, eu sou a negra alma do Bixiga

Herança que marcou a minha vida

Tem que respeitar minha raiz

O Orum vai desvendar toda verdade

Pra resgatar a nossa identidade

Das linhas que a história apagou

África negra, mãe da humanidade

Nas marcas de um passado tão presente

A luta que Mandela ensinou

É a força de lutar por nossa gente

Clamando a justiça de Xangô

Ô Inaê, Rainha do mar

Alodê, Iabá, Odoyá

Cuida de mim, mamãe, leva meu pranto

Em seus braços o meu acalanto

Ecoa o grito forte da senzala

Nos olhos brilha um novo amanhecer

Aruanda ê, Aruanda

Trago a força de Palmares

Pra vencer demanda

A liberdade é minha por direito

Não vamos tolerar o preconceito

Somos todos irmãos

E a luz da razão vai nos guiar

Sorrir, sim, nós podemos sonhar

Pois temos um futuro pela frente

Punhos cerrados a Saracura está presente

 

Colorado do Brás

A Colorado do Brás vai brincar com a música “Jambo Bwana” (em suaíli, língua falada pelos povos Bantus), do músico queniano Teddy Kalanda Harrison. Popularizada em 1983 pelo grupo Boney M., ela foi a responsável pela expressão “Hakuna Matata”, que significa “sem problemas”, “seja livre” e “seja feliz”, e tinha o objetivo de atrair turistas para o país recém-liberto de uma ditadura. Em 1994, a Disney lançou o filme Rei Leão, e a expressão ficou mundialmente famosa.

O tema foi desenvolvido pelo carnavalesco Leonardo Catta Preta, e o desfile vai falar sobre a libertação e a riqueza do povo queniano. Segundo o site oficial da agremiação, “O enredo vai homenagear a beleza, a cultura e a simplicidade da África exposta na canção e na expressão Hakuna Matata, que representa um marco da liberdade do povo africano, e mostrar que a felicidade está em cada um de nós.”

 

Aprenda a letra!

 

Isso é viver… Hakuna Matata

É lindo dizer… Hakuna Matata

Pulsa nosso povo apaixonado

Queniano é o tambor da Colorado

A corrente se quebrou…

O chão estremeceu…

Liberdade amanheceu

Em lindo raio avermelhado

A savana então brilhou… o atabaque acolheu

O canto da Colorado

Jambow… sinta a força que tem o Orixá

É amor, a magia da fé pelo ar…

Espíritos guerreiros, giram nos terreiros

Místicos em tradições e rituais

Que unem continentes, abrigam sua gente

África orgulha seus ancestrais

Ôôô um griot contou

A sombra do baobá

Num toque a lua iluminou

E a teia formou o ventre de tudo que há

No mar… e rios de encantos

Hei de encontrar cavalos marinhos

Entre os cristais navegam meus sonhos

Iemanjá abrindo os caminhos

Um paraíso floresceu

Pássaros cruzaram o céu

A natureza se curvou ao rei

Não há problemas se aprender assim eu sei…

Canção é sentimento…

Alegria que o povo ecoou

Sua alma… seu destino… sua cor…

 

Acadêmicos do Tatuapé

Campeã dos dois últimos carnavais paulistanos, a Acadêmicos do Tatuapé vai trazer em seu enredo uma homenagem a vários guerreiros que fizeram história no mundo: São Jorge (relacionado a Ogum, orixá da guerra, no sincretismo religioso), Zumbi dos Palmares, Martin Luther King e Nelson Mandela são alguns dos heróis mencionados. Um momento do desfile será reservado para exaltar a força dos guerreiros africanos, que lutaram bravamente contra a escravidão e libertação do seu povo.

O samba-enredo também homenageia os guerreiros do cotidiano e os guerreiros do samba, encerrando com uma celebração aos guerreiros da própria escola.

 

Aprenda a letra!

Eu andarei

Protegido com as armas de Jorge

No altar do samba

sob o clarão do luar… ô luar

Coragem pra cumprir minha missão

Em nome da fé acreditar

Na força que emana da alma do povo…

Lutando se escreve a história

Honra… Batalhas e glórias

Axé meus Orixás… herança dos ancestrais

Bade iá babá…Okân Araloko

Bade iá babá…Um canto de amor

Ogubhê…Obá Sirê…Oyá

Oke arô…Kaô kaô

Do céu a mensagem de paz

Diz que o sonho não tem fronteiras

É amar e amar sem pensar

Fazer o bem a cada manhã

Um mundo melhor pra se viver

E não perder a fé (sabe porquê?)

Sou brasileiro…

Vou defender minha nação

Oh Pátria amada idolatrada não chores em vão

Sou brasileiro…

Sou sambista sim senhor… ôôôô

De tantos carnavais …

Bambas imortais … Respeite por favor

Tá no corpo e na alma… Corre na veia

Sangue azul e branco que me faz delirar

Tatuapé …A escola da emoção

Bravos guerreiros num só coração

 

Acadêmicos do Tucuruvi

A Acadêmicos do Tucuruvi vai falar de liberdade neste carnaval. O enredo do carnavalesco Dione Leite narra a luta pela liberdade ao longo de toda a história do Brasil.

Leite afirma, na sinopse disponível no site oficial da agremiação: “Somos a força do índio guerreiro, o lamento sufocante dos navios negreiros o grito e a força resiliente dos quilombos, somos a luta dos inconfidentes na busca incessante pela liberdade. Somos a resistência de um povo aguerrido, que por nada desiste, somos o canto da alma e da dor. Somos aqueles que empunharam armas, ferramentas cortantes nas lutas por igualdade, direitos sociais, em que, entre guerra e paz, paz e guerra construíram a confiança e esperança de um amanhã melhor.”

 

Aprenda a letra!

Senhor, escutai a nossa voz!

A prece que vem do coração

Eu sei que as feridas vão secar

No dia da libertação

No seio da mata surgiu um grito de guerra

Na luta contra a força do invasor

O nosso chão sangrou

Já fui lamento no balanço do tumbeiro

E subo o morro feito um nobre partideiro

ôôô… sou resistência na dor!

Quando o sol vai brilhar, meu Deus?

Reluzindo liberdade

Pra tirar do papel, o sonho

De viver com dignidade

Vem me dê a mão

Preciso de você… que tanto prometeu

Por que se esqueceu dos seus ideais?

Somos todos iguais!

Caminhando contra o vento, eu vou…

Pra quebrar as correntes

Quem sabe faz a hora, não espera acontecer

Apesar de você…

Vamos romper as barreiras

Erguer as bandeiras, por mais união

Oh! Meu Brasil!

A liberdade emana do amor

Meu direito à igualdade não representa favor!

Tucuruvi espalha um canto pelo ar

Vai ecoar, vai ecoar

Meu brado é forte, quero mudança

Avante filhos da esperança!

 

Confira a agenda de desfiles:

São Paulo

1º de março, sexta-feira 

23h15 – Colorado do Brás

1h25 – Mancha Verde

2h30 – Acadêmicos do Tucuruvi

3h35 – Acadêmicos do Tatuapé

2 de março, sábado 

1h45 – Vai-Vai

 

Rio de Janeiro

3 de março, domingo 

0h30 – Salgueiro

4 de março, segunda 

2h40 – Mangueira

 

Confira nossas acomodações nas cidades!

São Paulo: https://bit.ly/2Rz4VMc

Rio de Janeiro: https://bit.ly/2DcYkhv