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Não me acorde do meu sonho

Rebecca Alethéia é daquele tipo de gente que emana vida, paixão e alegria, e que te cativa com um sorriso, sabe?

A viajante

Sua primeira viagem foi com apenas um mês de idade. Seus pais, que se conheceram em uma viagem na Bahia, a levaram para acampar em Ilhabela. Todos sobreviveram aos borrachudos, e a vontade de viajar só cresceu desde então.

Nascida em Santo André, São Paulo, suas primeiras viagens sozinha foram para o Rio de Janeiro e Londrina, para prestar vestibular. Também foi sua primeira experiência se hospedando na casa de desconhecidos – prática que se repetiria muitas e muitas vezes em sua vida. Já na universidade, viajou bastante para os chamados jogos universitários. Até que um professor querido se mudou para a Argentina e ela decidiu visitá-lo. Ele esquematizou um intercâmbio, e Rebecca passou 15 dias no norte do país trabalhando com uma comunidade aborígene, na área da saúde. Nessa primeira viagem internacional, ela morou em um hospital (sabia que a palavra “hospitalidade” vem de “hospital”?), e aproveitou para conhecer pontos turísticos próximos, como o famoso Salar de Uyuni e Cordoba, entre outros lugares deslumbrantes. Em sua bagagem de volta, ela trouxe muito aprendizado e uma invejável habilidade de fazer conexões.

Rebecca já morou no Tajiquistão, na Ásia Central, e atualmente vive em Moçambique. Em sua lista de viagens, estão 22 países. Quando perguntada sobre sua melhor experiência, ela só diz que cada uma é especial de um jeito diferente. Na África do Sul, se entendeu enquanto mulher, refletiu sobre questões femininas. Na Bolívia, se conectou com sua espiritualidade. Na Indonésia, se sentiu desafiada ao enfrentar o medo de subir em um vulcão em atividade. “Viagem é superação. Um reencontro comigo mesma.”

A anfitriã

Rebecca já era anfitriã em outras plataformas, e decidiu anunciar seu apartamento no Guarujá na Diaspora.Black para prestigiar e fortalecer a rede negra.

Como anfitriã, a jovem enfermeira demonstra nada além de generosidade e cuidado. “Quando abro minha casa, ofereço as mesmas coisas que espero encontrar quando estou viajando: qualidade, bom preço e conforto.”

Rebecca não se preocupa se os hóspedes vão bagunçar sua casa ou quebrar suas coisas. Com tanta experiência acumulada nos cinco anos como anfitriã, ela aprendeu que confiar no outro sempre acaba trazendo algo positivo. Ela acredita na honestidade do ser humano e nos ensina que as matrizes africanas valorizam o poder da palavra. E se alguém não honrar sua palavra, não tem o menor problema – o universo sempre devolve.

Uma vez, ela recebeu um grupo de jovens por outra plataforma. No último dia, eles tiveram um problema com o carro e precisaram estender mais uma noite. Rebecca deixou que eles ficassem pagando metade do valor, pois não queria deixá-los na rua. Eles deveriam depositar a quantia restante depois, o que nunca aconteceu. Alguns meses mais tarde, um argentino que já tinha reservado a casa cancelou a estadia, e não quis o dinheiro de volta. Moral da história: o universo sempre devolve. Ela perdeu cem reais, mas ganhou muito mais depois, muitos hóspedes, muitos amigos. “A questão não é o valor, mas o carinho e a hospitalidade.”

Rebecca sabe dar as melhores dicas da cidade para os hóspedes. E faz questão de demonstrar cuidado e gentileza, seja entregando um buquê de flores para um casal em lua de mel, seja indicando uma loja de biquíni ou um restaurante para cada ocasião. E são esses pequenos detalhes que fazem dela uma anfitriã tão incrível. “Eu não sou hotel. Minha casa é um lugar de acolhida.”

Para quem está pensando em se tornar anfitrião, ela diz: “Casa fechada é casa deteriorada”. Fora da alta temporada, a casa fica fechada, quando poderia render dinheiro por ao menos cinco meses por ano: “É um ótimo jeito de cuidar da casa e ainda gerar uma renda extra”.

A mulher negra

Rebecca é criadora do Bitonga Travel, uma plataforma colaborativa de mulheres negras viajantes que nasceu para responder a pergunta: Qual é a sua referência de mulheres viajantes?

A ideia é compartilhar experiências para inspirar outras mulheres, que normalmente não se sentem representadas nas mídias, a viajarem. Hoje são várias as correspondentes do Bitonga: são brasileiras, caribenhas, latino-americanas, estudantes, bancárias, professoras… que viajam com muita grana ou pouca grana, mas que viajam. Sozinhas ou acompanhadas.

Na lista de viagens programadas do grupo estão lugares de história e cultura negra: Taubaté, Ouro Preto, Chapada Diamantina. Todas as agências contratadas são geridas por mulheres negras. No YouTube, elas vão mostrar as viagens coletivas. No Instagram, vão divulgar outras negras viajantes. Também vai rolar podcast em parceria com a Afrolab, mulheres empreendedoras negras do audiovisual.

O mundo é seu, Rebecca!

E de todas nós.

#VivaDiaspora

 

Fotos: @rebeccalethei