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18 de dezembro de 2018

Muquifu, o museu de favela de Minas

Por Luciana Soga

“Por que existiria um museu de favela? A favela não deveria ser um lugar a ser eliminado?”

Essas são as perguntas iniciais do Padre Mauro Luiz da Silva, fundador do Muquifu, o Museu dos Quilombos e Favelas Urbanos, quando pensou em abrir um espaço de compartilhamento de experiências e de exposição de objetos pessoais dos moradores do Aglomerado Santa Lúcia, em Belo Horizonte, Minas Gerais.

 

Segundo o modo como se autodescrevem, a iniciativa tem como objetivo garantir o reconhecimento e a salvaguarda das favelas, consideradas pelos organizadores do museu os verdadeiros quilombos urbanos do Brasil. Lugares não apenas de sofrimento e de privações mas também de memória coletiva digna de ser cuidada.

 

 

O acervo do espaço conta com: fotografias, objetos, imagens de festas, danças, celebrações, tradições e histórias que representam a tradição e a vida cultural dos moradores das diversas favelas do Estado de Minas Gerais. As atividades da instituição são feitas pela comunidade e para a comunidade. Portanto, ali, as pessoas se reconhecem.

 

O Muquifu tem a proposta de ser um museu comunitário e territorial, instrumento de resistência diante do risco iminente de expulsão dos favelados dos centros urbanos, que reconhece e preserva o patrimônio, as histórias, as memórias e os bens culturais dos moradores de Belo Horizonte.

 

Os objetos expostos, assim como a própria expografia do local, são todos muito simples – nada convencionais, se comparados ao que vemos em um museu tradicional. Padre Mauro afirma: “A comunidade acredita que a história dela não tem valor. Acredita que o objeto que ela traz para o museu é lixo, muitas vezes. Então é um trabalho de valorização dessa história e de mudança de paradigma.”

 

Foto: Alexsandro Trigger

Foto: Alexsandro Trigger

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Um burrinho de carga esculpido em madeira é um exemplo desses objetos levados ao museu pela comunidade. Cidinha da Silva descreve a história dessa peça despretensiosa, mas tão cheia de significado, da seguinte forma: “O dono do burrinho não tinha nada. Era um menino sem perspectivas que carregava sacolas no mercado, sacolas grandes, quase maiores que ele. Um dia uma senhora teve pena do menino e o levou para casa. Dava-lhe umas sobras de comida, de cadernos e lápis, roupas usadas e desprezadas pelos filhos. Mas qualquer coisa tinha valor diante do imenso nada da vida do menino. Em outro tempo, já rapaz e depois de muitos anos de serviços prestados, a madame lhe deu um burrinho de pata quebrada, que foi consertada e chegou ao Muquifu pelas mãos de uma irmã, junto com essa memória de exploração humana e uma pata consertada pelo novo dono.”

 

Clique aqui e conheça mais histórias sobre o Muquifu, seus objetos e frequentadores, no documentário produzido pela Rede Minas.

 

Para ser amigo do museu
O Muquifu tem uma campanha de financiamento recorrente no Padrim. Acesse e conheça os objetivos: https://www.padrim.com.br/muquifu. A sustentabilidade do projeto depende de uma rede de parceiros, voluntários e amigos.

Serviço
Rua Santo Antônio do Monte, 708
Vila Estrela / Santo Antônio
Belo Horizonte – Minas Gerais – Brasil
Muquifone: 31 98798-7516

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