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19 de dezembro de 2018

Quilombo: refúgio, morada e acolhimento

Os quilombos, em suas histórias, têm percursos que nos contam muito da história do Brasil

 

O país possui cerca de 168 comunidades quilombolas tituladas e mais 1.675 em processo tramitando no Incra para conquistar a titularidade e serem oficialmente consideradas terras ocupadas por comunidades remanescentes de quilombos.

Desde a Constituição de 1988, iniciou-se um trabalho para assegurar a propriedade das terras às comunidades que se formaram a partir de quilombos. Inclusive o quilombo mais conhecido por todos, o dos Palmares, dá nome e existência à Fundação Cultural Palmares, que atua na preservação do patrimônio cultural afro-brasileiro.

A importância dos quilombos pode até escapar à percepção de quem está “fora” desse contexto. No entanto, logo se mostra essencial.

Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Comunidade do Cambury, em São Paulo – Marcos Santos/USP Imagens

Ontem

Esses territórios surgiram pela necessidade de abrigo, com a resistência de indivíduos e grupos escravizados que, uma vez em fuga, procuravam por locais para se refugiar.

Com o passar do tempo, africanos e afro-brasileiros alforriados, que não tinham os mesmos recursos para levar a vida que cidadãos nunca escravizados, também precisavam estabelecer suas moradias. E com a abolição, enfim, isso se tornou um fato para toda uma população em várias partes do Brasil, que recebia imigrantes para o trabalho em novas condições, e que começava a se industrializar.

Desse modo, é fácil intuir a transformação dos quilombos de locais muitas vezes transitórios, sempre de difícil acesso, de resistência a locais de permanência, subsistência, comunidade, família, convivência, em outras palavras, de lar.

Marcos Santos/USP Imagens

Hoje

Graças aos esforços dessas comunidades para manterem sua existência, é possível encontrar um pouco de tradição e riqueza cultural originária dos povos que viviam em diversas partes do continente africano, principalmente ocidental. Sem contar no que se produziu aqui mesmo, com soluções cheias de beleza para ultrapassar as horríveis barreiras da aculturação imposta pelo sistema escravista.

A possibilidade dos mais velhos de reviver seus costumes trouxe – e traz – consigo também a possibilidade dos mais jovens conhecerem um pouco de seus antepassados. E dá a todos a oportunidade de conviver de forma mais consciente com costumes que temos e sequer sabemos o porquê.

Respeitar, apoiar e conhecer comunidades quilombolas hoje é, no mínimo, refazer laços e restabelecer convivência com tudo o que já temos tão próximo a nós, só que de um jeito que nos aproxime mais de uma sociedade que se pretende em evolução.

Foto: Solange Barbosa

Quilombo da Caçandoca, em Ubatuba, é um dos poucos reconhecidos em áreas da Marinha

Agora

Mas isso é só para começar. Porque, ao chegar a um dos muitos quilombos que encontramos, tanto nas áreas rurais como urbanas, e também no litoral, temos ali a oportunidade de viver a nossa própria cultura brasileira, em uma de suas tantas faces.

Para quem gosta de viajar, é simplesmente conhecer lugares novos, fazer amizades, conhecer mais música, gastronomia, dança, artesanato, boas histórias… ou seja, o que se gosta de fazer quando se viaja!

Muito do que nos é familiar, com nuances diferentes, ressignificadas, mas que percebemos que provavelmente foram modifiacas tornando-se o que chegaram a nós.

E, falando em ressignificar, impossível deixar de notar essa palavra como chave para entender o conceito de quilombo hoje. Que possamos realmente compreender que não é porque vimos no livro de História que uma palavra só dá nome ao que ficou no passado. Que o digam essas comunidades, que o digamos nós, ao conhecermos esses lugares cheios de afeto, dignidade, tradição e força. Lugares que merecem, que devem ser visitados e celebrados.

Nos encontramos lá?