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Festa da Boa Morte

Um roteiro imperdível pela Festa da Boa Morte, uma das mais tradicionais manifestação da cultura negra de Cachoeira, no Recôncavo Baiano

 

Quem deseja conhecer uma autêntica manifestação cultural da Bahia deve viver de perto a Festa da Boa Morte, uma das mais tradicionais celebrações da memória e da cultura negra do Recôncavo Baiano! Berço do Samba de Roda,  Cachoeira é palco da procissão que ocorre há mais de 230 anos pelas ruas históricas da cidade colonial, nas margens do Rio Paraguassu, um dos mais importantes da Bahia.

A Festa é organizada pela Irmandade da Boa Morte, uma associação formada por mulheres negras, com mais de 40 anos de idade. A irmandade era um espaço de afirmação e resitência das mulheres e da cultura negra na sociedade. 

Durante as celebrações, mais de 60 mil pessoas acompanham as festas, entre turistas de todo o País, da Europa e principalmente dos Estados Unidos da América.

Para conhecer toda a riqueza desta manifestação cultural tipicamente afrobrasileira, nada melhor do que uma experiência imersiva e única! Nossa parceira AfroTours é especializada no turismo étnico na Bahia e nos levará a conhecer a festa por dentro!

Entre as atividades incluídas na programação, está a Procissão da Nossa Senhora da Boa Morte, no dia 15 de agosto, em Cachoeira. Todo o percurso será acompanhado de guia especializado, e inclui também a visita à Casa da Irmandade da Boa Morte, o Centro Cultural Danemann, em São Felix (cidade vizinha).

Os participantes também vão viver de perto a alegria do samba de roda cachoeirano, e a experiência com rodas de capoeira local.  Tudo recheado com relatos e histórias que só quem conhece a fundo a cultura local pode transmitir.

E o melhor: o transporte já está incluso! Uma oportunidade imperdível para quem quer viver uma experiência autêntica com o melhor da cultura negra brasileira!

Acesse e faça sua reserva: http://bit.ly/FestadaBoaMorte2019

Conheça mais sobre a Irmandade

O Recôncavo Baiano é a região da Bahia onde as tradições africanas foram mais preservadas e Cachoeira, uma espécie de Meca para onde acorrem negros em busca de suas origens. 

De acordo com a página da Irmandade, a história da confraria religiosa da Boa Morte se confunde com a maciça chegada de escravizados da costa da África para o Recôncavo, onde havia muitas fazendas de cana-de-açúcar, tabaco e outras plantações. Durante mais de três séculos,  Cachoeira foi a segunda cidade em importância econômica  da Bahia.

No Brasil Colônia, embora houvesse outras irmandades para diferentes classes sociais e perfis raciais, quase nenhuma era exclusiva de mulheres.  Para que uma irmandade funcionasse legalmente, diz o historiador João José Reis, precisava encontrar uma igreja que a acolhesse e ter aprovados os seus estatutos por uma autoridade eclesiástica.

Constituída por mulheres descendentes de escravizados, a Irmandade da Boa Morte foi fundada por volta de 1820 em uma sociedade patriarcal e marcada por forte contraste racial. Para ingressar na irmandade, até hoje é necessário ter mais de 40 anos (noviças). Atualmente, a irmã mais velha, Dona Filhinha, tem 107 anos.

A maior parte dos registros sobre a Irmandade foram perdidos em um incêndio em uma das igrejas em que ela ficava sediada, em 1984. A estimativa é que em sua fase mais forte, a organização teve mais de 200 integrantes. Apesar do valor histórico, somente em 2010 a Irmandade foi reconhecida como Patrimônio Imaterial da Bahia. 

A confraria sempre obrigou aos seus membros a colaborarem. Jóias de entrada, anuidades, esmolas coletadas e outras formas de renda sempre foram usadas para os mais diversos fins: compra de alforria, realização de festejos, obrigações religiosas.

A Irmandade se tornou referência internacional pela riqueza cultural e pelo papel de representação social e política das integrantes. As irmandades eram espaços estratégicos para os antigos escravizados, onde podiam professar a religião dominante sem abrir mão de suas crenças ancestrais. 

Embora vinculada à diferentes igrejas tradicionais da elite colonial local, as mulheres introduziram aos atos litúrgicos, diversos rituais e símbolos de matriz africana, com banquetes oferecidos a todos os participantes e muito samba de roda – elementos que ainda hoje caracterizam as celebrações! 

Na época estimada da fundação – cerca de 70 anos antes da abolição da escravatura – Cachoeira era povoada por descendentes dos povos Jejes e Ketus, de diferentes regiões africanas, muitos já alforriados pela articulação das irmandades e em função do êxito ecônomico da cidade  – que deixava de lado o plantio de açúcar para se tornar produtora de Tabaco de alta qualidade e um porto exportador da produção regional. 

Em um período políticamente tenso, com conflitos pela independência e  abolição da escravatura, houve diferentes iniciativas religiosas e civis para a emancipação dos negros. Cosmopolita, os descendentes de africanos mantinham fortes vínculos com os negros escravos de muitas cidades, sobretudo de Salvador, e atuaram em levantes pela independência política e abolição da escravatura no País – como a Revolta dos Malês (1835). 

#VivaDiaspora

Baianas integrantes da Irmandade da Boa Morte / Foto: Secom, Divulgação