Categoria: aprendizado

Os quilombos e a prática da liberdade

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Quilombos

Por Helena Theodoro


Muniz Sodré afirma que os mitos, as lendas e os contos populares são vias de acesso ao inconsciente de um povo. A lenda do Boi Bumbá, tão presente em todo o país aponta diretamente para o universo mítico da cultura afro-brasileira. para a fé e liberdade de ser. Nele temos como personagens centrais Pai Francisco e Mãe Catirina, um casal de negros trabalhadores de uma fazenda. Quando Mãe Catirina fica grávida ela tem desejo de comer a língua de um boi. Para saciar o desejo de sua esposa grávida Pai Francisco mata o boi de estimação do senhor da fazenda. Percebendo a morte do boi, o senhor procura Pai Francisco, que chega com o pajé de uma tribo e ressuscita o boi para a alegria de todos.

O Boi neste auto representa a resistência de descendentes de africanos e de povos originários para a preservação de sua identidade e de seus sonhos, que se revelam no Bumba meu Boi do Maranhão, nos Bois de Parintins, nos Bois de Mamão, enfim em de todos os lugares em que se encontrem o povo preto e indígena.

Da mesma forma, no livro Contos Crioulos da Bahia, de Mestre Didi, também encontramos histórias que situam bem as regras de coesão social da comunidade preta quilombola e a preocupação com a estrutura da personalidade de seus integrantes. O conto “A fuga de Tio Ajayi” conta como um escravizado foge da fazenda com outros para poder fazer suas obrigações religiosas. Perseguido pelos soldados, sobe morros e anda em becos com o seu grupo, sempre cantando, dançando e fazendo de cada acontecimento do cotidiano uma forma de contar a vida do grupo e de criar arte. No final, após muita perseguição, consegue chegar com o seu pessoal num espaço de liberdade, onde os soldados não poderiam mais alcançá-los, criando ali a sua comunidade, conhecida como QUILOMBO, segundo as normas e as tradições de seu povo.

Fonte: Congresso em Foco


Foto: Fotografia realizada por Januário Garcia no dia 20 de novembro em 1982 na Serra da Barriga no Quilombo de Palmares e presente em seu livro 25 anos de Movimento Negro no Brasil. Da esquerda para a direita: Lélia Gonzalez, Abdias do Nascimento, Edialeda, Deputado José Miguel e Helena Theodoro. Foto: Januário Garcia


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Autor(a):
Postado em:

02/07/2022

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